
Redondos os dias
Estranhas as noites.
Bicudo o homem
Pensando que é dia,
Ao entrar no céu
No sono da noite.
ALENTEJANOS NA GRANDE TRABALHÊRA DO DEBATE INTELECTUAL
Nesse desarranjo Senhor, de vestes tímidas de encharcar em nudez, olhamos-te na procura de ideais ou quimeras que sustentem a nossa/tua vontade.
Criaste-nos assim à tua imagem e por isso te tentamos seguir literalmente, mas apenas te conseguimos ocasionalmente, por a tanto nos teres ensinado e talvez por isso em sinal de compaixão, te redimes? Prostrado apesar de altivo e escangalhado na cruz, como rei que nu se expõe à saciedade como tal, calas-te e deixas que apregoemos a vida como se ela nos pertencesse? Mas ela não nos pertence e tu sabes bem disso, melhor que ninguém…
Não ouves o clamor dos incautos?
Não segues os ais dos pais, dos filhos e dos que não são pais nem filhos e mesmo de espíritos que podendo ser santos como tu, como outros homens têm sido, te esperam venerar por obras que cubram de vestes brancas, símbolo da pureza, a dignidade humana?
Acaso te rendes como aqui és, à impiedade dos sofistas a que chamarei políticos, que te despem impiedosamente, despindo-nos a todos nós, subvertendo a capacidade de em ti acreditarmos?
Acaso remetes a nossa existência para as futuras calendas, em que os idos dias de cada mês se transformem e narrem o restolho humano, cujos cadáveres subjazem como símbolos ou troféus daqueles que te amedrontam assim e submetem, e que a nós nem falar???...
Homem, Senhor, ou mesmo «é pá!...» vê lá onde é que nos meteste e interfere educadamente junto do Pai, como é de tradição fazer, se é que ela ( a tradição) ainda se adequa e deixa-te de merdas, porque isto está a ficar sem condições para que a fé tenha lugar na vida dos homens, conscientes de que só através dela (da fé) poderemos continuar a ser o teu rebanho.
E despacha-te porque as eleições são já a 5 de Junho do corrente…
Obrigado pelo sinal
Ainda a manhã não era dita
Pelos homens que fazem os dias
Já de tamanho grande era a esperança
Ao acordar, da mulher que se erguia.
Tamancas nos pés de veludo
Olhar no infinito sisudo
Gestos certeiros em tudo,
Vai ao encontro do homem
que faz os dias, confuso.
Debate-se, é doce, que candura…
Até perfeita seria ela, na bruma
Que a envolve na direção do vento,
Se a lua fosse terrena e sua
Se o homem fosse casto e seu