domingo, 5 de outubro de 2008

O PROGRESSO

Reservo este espaço a quem o queira utilizar.
Se ninguém conseguir escrever nada nele, é porque algo de estranho se passa com as novas tecnologias.












sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O PRÍNCIPE MENDIGO


Era uma vez um príncipe…
Vivia num reino que sabia que não seria seu, por isso pensava que um dia seria feliz junto de uma camponesa, entre campos floridos, numa casa de madeira a cheirar a coisas da terra.
Um dia foi à cidade e como era belo e gentil, deixou-se cortejar por uma plebeia .
Assim, o belo príncipe deixou que a plebeia o acariciasse e porque era gentil como são todos os príncipes, casou com ela.
Tiveram filhos e o príncipe ficou esquecido no berço da nobreza, por ter casado com uma mulher da populaça.
Ficou só, com a mulher que um dia o acariciara porque era príncipe e belo, mas que nunca o reconheceria como gentil.
O reino definhou, o príncipe fugiu para parte incerta e ainda hoje, escondido algures, espera que nenhuma plebeia o encontre mais, por sentir que não quereria ser acariciado por uma mulher que não acredita que existem príncipes gentis.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

SÍMBOLOS


O Mouro não se esquiva a lamber a primeira pedra que lhe apareça pela frente.
Ei-lo esguio, elegante e sabedor das manhas da sua amiga Lena, que matreiramente o caçou nesta sua necessidade básica.
Não seria ali que ele deveria beber a sua água, mesmo que os 40 graus à sombra obriguem a pouca reflexão. Todavia, aquele lago que já teve um metro e meio de altura, foi todo partido para que agora, apenas com cinquenta centímetros, ele possa transgredir as regras da Quinta à vontade.
É amante da Seara, cadela de poucas falas e muito tino e por isso mesmo o adopto como símbolo universal da indiferença perante os bebedouros públicos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

SER POETA ÚNICO E INTEMPORAL


Comparar poetas, enfim, que extravagâncias
Quando tantas palavras escritas e que fantasiam
Nos fazem crer em todas, até nas que extasiam
Em sublimes recantos de estranhas fragrâncias

Pessoas, que nos fazem assim acreditar,
Que ditam palavras onde se sente coração
Que embriagam e levam até à emoção
Sem nomes, exultantes no acto de meditar

Assim, num apelo reverso da alma contida
O poeta desperta na primeira palavra o clamor
Reflexo mesmo da tristeza, ou pungente amor
Chorando-a depois, por diante de si, e da sua vida

sábado, 9 de agosto de 2008

PELO QUE NÃO ACONTECEU


Os pés pisam o restolho que é seco
Insano por ser sobrante da seara
E pelo que não aconteceu.

Fica o pisar ruidoso
De quem caminha lentamente
Pisando este chão que tanto insiste
Em não ser de quem persiste,
Mesmo que escolha firmemente
O chão que pisa lentamente.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

SUBLIMAI


A propósito de leituras no Murcon.

Essa coisa do genérico órgão sexual masculino estar entre as pernas não passa duma argumentação falaciosa, na minha opinião. Até parece que não temos mais nada que fazer.
Comecemos por sublimar a vontade sexual e veremos que afinal, o criador pensou em tudo: Lede, escrevei, orai, pintai ou mesmo ignorai o sexo oposto ou até mesmo o imposto, tudo com muita, muita força e vereis que afinal o vosso órgão sexual está em parte incerta.
Depois…quando o crer na razão se desvanecer e a vossa razão for, sendo vós, apalpai-vos e procurai usar o que mais vos aprouver, como forma de acreditardes no prazer.
Para os mais distraídos e como percebestes desta minha síntese, começai sempre por vós.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

SERÁ MALANDRIM?


Dou comigo a pensar que neste momento não tenho nada em que pensar, ou seja, até tinha, mas acho que seria um desperdício. Eu explico:
Coloco-me perante a possibilidade de pensar ou fazer algo que ajude a fazê-lo, mas a necessidade de ser útil enquanto penso, desvanece-se de imediato. Porquê não sei, só sei que se desvanece como se expira. Expira-se com prazer por se sentir que o ar mau nos deixa ficar com o ar renovado que entretanto inspirámos.
E tem sido assim em momentos de maior tédio. Inspiro e expiro, inspiro e expiro…nada de mais agradável me soa no momento. Quanto ao ser útil no acto de pensar, sempre me senti útil e disponível, como tal, pensar para ser útil é uma desnecessidade.
Assim, respirar bem, parece-me ser a coisa mais agradável (reparem que não disse útil) neste momento, sobretudo quando vejo tanta gente a respirar mal e a precisar tanto de ajuda.
A essas pessoas digo: Respirem bem e aprenderão a ser úteis.