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quarta-feira, 29 de abril de 2009

DIÁLOGO COM A MINHA NATUREZA


Fito as árvores através da janela coberta por panos finos

Que antecede e amedronta a cupidez do encontro com elas

Quando por manhas e feitios de tecer nelas o destino

Sou afinal de mesteres, oriundo de crenças no destino delas


Daqui lhes grito: -Não quero floresta no reino da minha ventura!...

Por ser de partilha o vento que delas sinto e em liberdade desejo

Deusas e oprimidas que veriam ameaçada a sua fina candura

E aqueles gestos que por trás da janela de pano fino eu vejo


Daqui distante delas as leio com fantasia e vejo a sua nudez

Com o que o meu sorriso permite de confiança e desassossego

Crendo tê-las e ouvindo-as sentir clamarem pela sua altivez


Deixo a pena e precipito-me no lençol de folhagem em lamento

Que cerca o reino na nossa confissão, dor e aconchego

Para roçar nos galhos de sedução, frescura e contentamento