Não quis reiniciar este espaço onde me encosto, sem que seja feita justiça à prodigiosa natureza.
A Seara teve cachorros, que só não nasceram na Serra da Estrela, porque ela adoptou o Alentejo como lugar de transumância final.
Aqui encontrou donos zelosos, mimos constantes.
Daqui pôs em debandada desde que cá chegou ( e já lá vão 6 anos), ratinhos faroleiros nervosos na procura de um grão da sua ração, rãs que no ribeiro coaxavam, toupeiras que lavravam a terra em vão, coelhos que visitavam a quinta sem perdão, na procura das raízes das arvores jovens…e como ela as protege…impedindo o Mouro de as regar com a sua enérgica micção territorial. Nem a tartaruga que por vezes nos espreita e que um dia nos visitou, ela impediu de pernoitar numa noite de lua cheia, ali junto ao muro que protege o marmeleiro.
Ela, a Seara, teve cachorrinhos que vão para os Açores quando ela entender que são autónomos.
Vão para os Açores porque a Lena, a Susana e o Pedro são Açorianos e foram testemunhas do olhar da Seara que os viu partir em direcção ao Oceano.
Um enorme abraço para a Susana e para a Lena que ajudaram a crescer todos os seres desta Quinta.
