quarta-feira, 27 de março de 2013
terça-feira, 5 de junho de 2012
POR CÁ VAMOS ANDANDO...
domingo, 20 de maio de 2012
NÃO SOU SEGURO, NEM GOSTO DE COELHO
terça-feira, 7 de junho de 2011
Cadernos de Hoje: DO GÉNIO (GÉNERO) MASCULINO
terça-feira, 31 de maio de 2011
A RENDIÇÃO...

Nesse desarranjo Senhor, de vestes tímidas de encharcar em nudez, olhamos-te na procura de ideais ou quimeras que sustentem a nossa/tua vontade.
Criaste-nos assim à tua imagem e por isso te tentamos seguir literalmente, mas apenas te conseguimos ocasionalmente, por a tanto nos teres ensinado e talvez por isso em sinal de compaixão, te redimes? Prostrado apesar de altivo e escangalhado na cruz, como rei que nu se expõe à saciedade como tal, calas-te e deixas que apregoemos a vida como se ela nos pertencesse? Mas ela não nos pertence e tu sabes bem disso, melhor que ninguém…
Não ouves o clamor dos incautos?
Não segues os ais dos pais, dos filhos e dos que não são pais nem filhos e mesmo de espíritos que podendo ser santos como tu, como outros homens têm sido, te esperam venerar por obras que cubram de vestes brancas, símbolo da pureza, a dignidade humana?
Acaso te rendes como aqui és, à impiedade dos sofistas a que chamarei políticos, que te despem impiedosamente, despindo-nos a todos nós, subvertendo a capacidade de em ti acreditarmos?
Acaso remetes a nossa existência para as futuras calendas, em que os idos dias de cada mês se transformem e narrem o restolho humano, cujos cadáveres subjazem como símbolos ou troféus daqueles que te amedrontam assim e submetem, e que a nós nem falar???...
Homem, Senhor, ou mesmo «é pá!...» vê lá onde é que nos meteste e interfere educadamente junto do Pai, como é de tradição fazer, se é que ela ( a tradição) ainda se adequa e deixa-te de merdas, porque isto está a ficar sem condições para que a fé tenha lugar na vida dos homens, conscientes de que só através dela (da fé) poderemos continuar a ser o teu rebanho.
E despacha-te porque as eleições são já a 5 de Junho do corrente…
Obrigado pelo sinal
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Cadernos de Hoje: DO GÉNIO (GÉNERO) FEMININO

Ainda a manhã não era dita
Pelos homens que fazem os dias
Já de tamanho grande era a esperança
Ao acordar, da mulher que se erguia.
Tamancas nos pés de veludo
Olhar no infinito sisudo
Gestos certeiros em tudo,
Vai ao encontro do homem
que faz os dias, confuso.
Debate-se, é doce, que candura…
Até perfeita seria ela, na bruma
Que a envolve na direção do vento,
Se a lua fosse terrena e sua
Se o homem fosse casto e seu
sexta-feira, 22 de abril de 2011
INTERMITÊNCIAS

Essa diluição em grande parte é justificada por aquilo a que chamo o crescimento dos alunos, que nas suas diferentes fases de formação/crescimento, deixam de precisar da rigidez da postura do mestre. Não precisam nem é necessária, porque esse professor passa a estar perante uma pessoa em formação integral. E digo integral, na medida do seu não distanciamento a tudo que acontece fora do recinto escolar.
Direi que tenho sido sempre para os meus alunos, jovens, adultos e para aqueles que estiveram sujeitos aos condicionalismos do sistema prisional, atento à sua disponibilidade para aprender, mas sobretudo para que descubram o espaço da sala de aula, do recinto exterior à sala de aula, do ambiente social, da intervenção cívica etc.
Direi a este respeito, que é com mágoa, que verifico que professores no auge da sua maturidade, quando podem dar mais e melhor à Escola, são confrontados com a necessidade da aposentação, face à desconformidade das condições que permitam a sua continuidade na Escola em condições especiais, estatuto em que me enquadrarei brevemente, mas enfim…
Eis todavia, que há cerca de 3 anos alguém me falou da Universidade Sénior, como espaço de partilha de saberes, promovida pela Fundação Eugénio de Almeida. Fui até lá e inscrevi-me.
Fiz o meu acesso como docente, não sem que o fizesse com algum receio, na medida da expectativa que criei acerca da expectativa que os alunos daquela Universidade teriam sobre o meu tipo de «ensino». A minha proposta foi intencionalmente desajustada dos preceitos da Academia, muitas vezes redutora na sua prática universitária, consequentemente pouco universal. Por outro lado, procuro que seja necessariamente abrangente como um mar de emoções entre pessoas que se diluíssem naquela prática partilhada.
Entrei prosseguindo a minha área de formação, a partir das Ciências Sociais e Humanas, sem que a História, a Geografia, a Filosofia, a Psicologia, a Economia etc, deixassem de ser a alma desse espaço de reflexão, contrariando assim o que erradamente se entende ser a ciência pura aplicada às Ciências Sociais e Humanas, limitada que é muitas vezes, à utilização dos métodos quantitativos.
A prática do Sujeito, naquelas reuniões a que se chamam aulas, em que cada um de nós intervém com a sua experiência, sabedoria empírica ou científica, na descoberta ou confirmação de Verdades que nunca se querem absolutas, tem sido para mim de uma riqueza que não dispensa um aplauso a todos quantos participam nesta actividade .
A sensação com que ficamos, no fim de cada reunião semanal, é a de que tínhamos na ponta da língua tudo aquilo de que falamos durante aquela hora, e que não conseguimos dizer a ninguém, só porque ninguém estava perto de nós, quando quisemos partilhar aquele pensamento.
Afinal, tem sido assim na minha actividade docente fora da Universidade Sénior, com os meus alunos e passou a ser agora com os meus amigos seniores.
A descoberta da Verdade, através de um pequeno empurrão que damos uns aos outros, num acto de enorme solidariedade, que tanta falta faz nos tempos que correm.
Na descoberta dessa Verdade todos somos simultaneamente Sujeito e Objecto sem nunca esquecermos que a generosidade e a gratidão constituem a síntese muitas vezes feita de confronto entre os interesses aparentemente antagónicos.E eis as mentalidades.
Participar com a Universidade Sénior e sua coordenação, com os meus companheiros de «conspiração académica» tem sido para mim um prazer que pretendo continuar e divulgar.
Parabéns a todos
domingo, 27 de março de 2011
Quando o sol se põe...
Tão perto da eternidade lá junto ao sol
Que imagino ser da cor da felicidade
Deboto as emoções na claridade
Colhendo a luz da saudade
De tempos que lá não vivi
E que imagino claros
Como os olhos
Que nunca vi
sábado, 19 de março de 2011
VAMOS A ISTO...
Ligo a televisão depois de jantar porque é meu hábito ouvir notícias do meu país.O país onde nasci.
Depois penso:
Porque a vida que vivemos é preenchida por acontecimentos em que, umas vezes somos Sujeito, outras Objecto, e fazendo até um esforço de modo a relativizar o determinismo politico, que há quem diga, subverte a liberdade dos governados,dou comigo a estranhar algumas das tais notícias que é habitual serem divulgadas nas horas de maior audiência.
Uma delas trouxe-me para o computador a escrever isto e dizia o seguinte:
«O povo português vai ser chamado a votar em Maio ou Junho…»
Independentemente da razão (causa) que justifica a afirmação da jornalista, que me levaria a corromper este meu espaço de reflexão apolítica, se a ela me referisse, prefiro indignar-me apenas, com a frase que coloquei entre parênteses.
Então não é que tenho andado a massacrar a cabeça dos meus alunos com a história dos gregos, do glorioso principio da nossa civilização, da democracia, da filosofia, da história, abordadas no ponto de vista científico, porque de outra forma não faria sentido e de repente, entro na sala, qual Ágora de todos os ensinamentos, onde a televisão assume um papel fulcral e oiço uma coisa daquelas?
«O povo português vai ser chamado a votar em Maio ou Junho…»?????
Então mas afinal não cabe ao povo tal como foi concebido, ainda em tempo de factores condicionantes da democracia, decidir dos destinos da cidade?
Porque surgem estes sofistas/pedagogos/escravos da nomenclatura política, a anunciar que o povo vai ser chamado a votar em Maio ou Junho ??Porque assume a comunicação social esse papel de 2º poder, influenciando tão duramente a opinião pública de maneira a criar nela uma ideia que a vincule a um comportamento?
Se os meios justificam os fins, neste jogo de difícil equilíbrio cívico em que a cidadania é constantemente atraiçoada pela discrepância de métodos, por parte desses parceiros, neste tabuleiro, que se destruam as regras do jogo e partamos todos para a desobediência.
A Objecto nobre da democracia está ameaçado. A clientela do poder perfila-se. O povo chora e sofre. Por mim, não voto, para já…
domingo, 6 de fevereiro de 2011
SEM PALAVRAS
É apenas porque tenho umas amigas, que, mal saio de casa se me insinuam coloridas e sedentas de mimos, como adivinhando o meu lado vespertino, que é melancólico e ao mesmo tempo empreendedor.
É a hora de todas as decisões: Ao fim de semana, depois de almoço, ou contemplo a natureza ou me integro nela e hoje resolvi antecipar uma jornada que tinha planeada para amanhã e resolvo iniciá-la já hoje.
Pequenas liberdades, que me dou ao luxo de exercer, só para estar com elas, tocar-lhes, ouvi-las nos seus queixumes, que não são falsos, pelo que percebo de resistência aos rigores da minha ausência, quando me sacodem à mínima distracção.
Uma delas, que deixa clara a sua intenção de parir figos mel, lá para Agosto, começa por me dar uma chicotada nas costas com uma das suas hastes que eu pensava ter transposto. São perigosas no verão, dizem, pelo fresco que emanam da abrigada das suas largas e suculentas folhas. Sorrio-lhe e prometo-lhe um desbaste fora de época, como é típico de árvores selvagens aceitar.
Caminho da direcção das laranjeiras, que por entre a ramagem deixam que o sol me encandeie, e aí reconheço um sorriso, que desde a última rega à caldeira me era devido. Algumas laranjas no chão culpam-me de carícias perdidas no tempo e de imediato as recolho aproveitando-as para o sumo da manhã, que elas anunciarão pujantes. embora carregadas de moira geada.
Cedros , pinheiros e eucalipto em terrenos baldios sobrevivem e perfumam arrogantes e altaneiros, na margem do ribeiro de som cristalino, mas nem esses pela persistência da sua ramagem, deixam de avisar sobre as daninhas que ameaçam o seu solo, que preferem castanho e árido por tanta sombra.-Cá virei , digo-lhes, pensando no artefacto mecânico que será meu cúmplice no adorno do seu espaço, por, por elas, ser protegido do fenómeno fotossintético.
A poda das cepas já lá vai, e os primeiros grelos de verdura anunciam que foram agradecidos pelo corte temporão que ainda em Dezembro fiz nos caules ainda tenros. Pedem-me os pequenos troncos rasteiros, que elimine a grama para melhor aproveitamento da terra.Assim farei sem recorrer a químicas e sei que elas agradecem com a uva dona Maria de um lado e a piriquita de outro, como agradeceriam a ausência de micções territoriais do Suão, e do Mouro, cães exibicionistas, ou não fosse a Seara, cadela que da Serra da Estrela veio impor a regra do charme e da teimosia para terras do Alentejo.
A horta, sustenta-se de vedação a precisar de reforço e carece de adubo ou esterco que animal produzisse, se o houvesse. Não sendo essa a vocação da quinta, o adubo em que o azoto e outros ingredientes proliferam, fará a cobertura da terra, passada depois com a fresa longitudinalmente e depois ao contrário, como é de bom saber empírico praticado,resultando.
O sol esconde-se já para lá da Sé.Esta, maior que o único eucalipto da Austrália, de sabor a limão, que por cá dá as boas vindas a quem entra.
A cidade a 2 km, adormece, enquanto o cheiro da sedução das minhas amigas embriaga . Logo mais, a neblina será a recompensa da natureza, pela vida mantida em cumplicidade com o sol, e logo mais com a lua que visitará vigilante umas vezes e provocadora outras, o espaço de tanta vida por nascer.
domingo, 30 de janeiro de 2011
AS PALAVRAS QUE SEMPRE DIREI

Enviusado ou não, esse mundo transporta-se com quem assim o interpreta, para o quotidiano de quem aprendeu as palavras assim e para o universo cosmopolita que passa a constituir o espaço de aceitação e negação dessa pessoa.
A partir daí, o radicalismo assume-se muitas vezes como a afirmação ou escolha dessa pessoa, junto das comunidades estruturadas a partir de valores sociais estabelecidos ao longo de séculos.Quem assim age, considera muitas vezes inconscientemente, que essa forma extremada de conduzir a relação de si com os outros é a mais valorada sem ser a mais valorizada. As premissas com que parte, para enviusar o percurso nesse mundo globalmente educado, são minoritariamente perceptíveis, por serem estranhas ao comum dos homens e das mulheres.
É frequente considerarem-se esses radicais, como os detentores de palavras sem significado, talvez loucos, quando afinal e muito frequentemente, estão apenas a tentar integrar-se no espaço da normalidade, utilizando os meios que possuem, ou seja, as palavras que lhes foi possível conhecer.
Desde os tempos imemoriais, que a comunicação foi um meio de valorização, partilha, conflito, aceitação e negação das condições que permitiram e permitem a vida em comunidade. Não se conhece que de alguma forma essa comunicação tenha sido possível através da acção marginal sobre a (apesar de tudo complexa) teia de equilíbrios que sustentam a nossa histórica cumplicidade enquanto espécie.
Não direi, para que não resulte como antiquado tal raciocínio, que cabe às instituições de Ensino, valorizar ou instrumentalizar os meios de aprendizagem das palavras, divulgando-as ou repetindo-as até à exaustão, para que o fim a que se destinam seja atingido.
A prática da utilização das palavras deveria ser permanente, útil, divertida, enviusada até, desde que a sustentabilidade de qualquer comportamento fosse atingida e entendida.
Sem que a homens e mulheres seja negado o direito ao contraditório, que os deuses se assumam como dirigentes da humanidade.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
CARMINA BURANA e a minha cidade...
Como a Idade Média também foi resistência, prazeres carnais, encenações de monges coléricos de desejo e sensibilidade, que nós herdámos…
Assim nos deliciamos até à obscenidade, pela nossa eterna obsessão pelo que inventamos tão frustradamente e até deliciosamente…
domingo, 31 de outubro de 2010
Un jour, un jour
Um dia virá, simples e mansamente
Un jour pourtant, un jour viendra couleur d'orange
Un jour de palme, un jour de feuillages au front
Un jour d'épaule nue où les gens s'aimeront
Un jour comme un oiseau sur la plus haute branche
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
LAMENTO CIGANO
Não sei cultivar esta ânsia de viver,
num universo de emoções escondidas ou por nascer,
quando sei agora que por tanto poder querer,
não sei decifrar quem é quem, nem para quem ser
Refugio-me, sem anseios, ou a aguardar eternamente
Há tanto, tanto tempo quase imortalmente
Obscuro, temporal, quase sentimentalmente
Sem recordar, tão pouco, mesmo fugazmente
Que mal é este, se o é,
e de quem vem?
Tal o meu desencanto
por não ver quem pense
ou ouse assim,
ouvir forte quem tem gestos,
sorrisos escondidos,
que existem e são de bem
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
SUIÇA ASSIM É....
A história dos ursos, como simbolo da capital Berna, e o facto de ter o seu centro histórico classificado pela Unesco, bem como toda a beleza da sua paisagem envolvente também não me chateou nada.
...Até lá fiz umas compras interessantes ao som duma belíssima instrumentista de violoncelo, em espaços comerciais arejados e limpos.
Em Zurique ( o tal sítio) também não me aborreceu minimamente não me ter cruzado com nenhum magnata, porque até me fixei mais no rio Limmat, na belíssima igreja de Santa Maria . etc...mas que existem pessoas de muitas nacionalidades em automóveis de vidros fumados,lá isso existem.Mas, isso não me entristeceu absolutamente nada.
De tal modo estava tranquilo, que resolvemos apanhar o barco que atravessa o lago Thun em Spiez, indo até Interlaken, numa viagem de 1 hora e meia, pelo que aguardámos pelo embarque nesta esplanada, com os Alpes , sempre mas sempre num fraterno abraço.( o senhor da foto não se importou)
Entretanto alguem me tinha falado num comboio panorâmico (Golden Pass) pelo interior da montanha e lá fomos.O percurso foi entre Montreux e a estação de inverno dos Alpes de Gstaad.Aquilo subiu,subiu até deixarmos de ver os cofres fortes cá para baixo,mas viu-se gente que vive em perfeita harmonia com a natureza e isso não me deixou minimamente incomodado.
Nem fiquei surpreendido com a forma organizada da floresta Alpina, com as tabuinhas arrumadinhas, ao lado dos tronquinhos limpinhos extraídos das arvorezinhas em devido tempo...
Tinha sido um dia intenso aquele,de emoções fortes, para quem vive na planície,pelo que resolvemos descansar numa esplanada, ao fresquinho...até porque o dia tinha sido relativamente quente/húmido.Atirei-me a uma cerveja fresquinha e não querem lá ver, que até nem importei com os 3,50 francos que me pediram pela dita?? A sério...
Annecy.Bom...já França, bem sei, mas...ainda pertence ao território alpino como se pode ver. E teria eu razões para andar chateado?Dirão todos em uníssono: Nãaaaaaaaaaooooooooooo....É claro que não.
Começava a ficar intrigado pelo facto de não me ter chateado um dia só, destes 8 que por terra de um país só, de gente que fala várias linguas, tinha andado...Resolvi entrar numa catedral em Geneve e tentar descobrir o que se passava ali de tão aglutinador, organizado e simples.E encontrei a resposta.Ei-la:
Enfim...
sábado, 14 de agosto de 2010
TEXTO LONGO...

As novenas de Maria em Maio decorriam na igreja de S.Sebastião todos os finais de tarde. Acorriam a elas as meninas do bairro, de trança, de franjinha, ou muito bem penteadas. Vestidas de chita ou de algo parecido com seda, levavam nos olhos a dúvida da oração reforçada pelos olhares cúmplices dos seus pacíficos perseguidores.
Os rapazes acotovelavam-se atrás delas, a caminho da igreja, envergonhados das cicatrizes nos joelhos, ajeitando as alças que seguravam os calções, que mesmo assim deixavam sair para fora as franjas das camisolas desalinhadas .
Também eles ingenuamente matreiros, tentavam adivinhar de que lado se iriam posicionar dentro da igreja, de modo a melhor desprenderem um sorriso para a Isabelinha, a Josefa, a Manelinha ou a Inácia. Era uma repartição de afectos feita antecipadamente, por mor das opções ou paixões que cada um dizia alimentar.
O inevitável terço iria começar e a novena seria preenchida pela ladainha das mães, tias, avós, aparentemente desatentos às respeitosas mas insinuadoras aspirações a namoro por parte da miudagem. O cheiro a incenso e um resto de primavera deixada lá fora, misturavam-se no interior da igreja e acompanhava as risadas do pessoal de soquetes, repreendido de imediato após a entrada do padre para ao início das orações.
-A Isabelinha olhou para trás!?...Estava a olhar para ti…-exclamou o gordo Eduardo de olhos muito abertos, armado em alcoviteiro, empurrando e avisando histericamente o Adelino.
Os quatro rapazes entreolharam-se agora mais sérios e apreensivos, procurando entre si e em silêncio, atributos seus que justificassem tal acto e atenção da rapariga da trança. Baralhavam-se as atenções e os afectos e a pressa de atribuir a mais bela ao mais comedido, mas reconhecidamente adaptado a tal beleza, era evidente.Tal era o sofrimento perante tanta beleza…
Em lugar dos sorrisos matreiros, algo desinquietos e atrevidos,os rapazes fixaram-se quedos e mudos, como que apreensivos com a atitude da menina da rua das Rosas nº 4, desconhecendo, embora desconfiando, a quem o sorriso aberto, loiro, assustadoramente angelical seria dirigido.
O gordo entendendo não fazer parte daquela decisão, saiu da Igreja, pé ante pé, ía a ladainha ainda a meio. Cá fora o cheiro das buganvílias embriagava com o seu perfume, que se suponha vir do céu naquela altura do ano e sobretudo quando a cor de fogo surgia para o lado do poente.
Os outros rapazes ainda perceberam o ar trocista e preocupado das raparigas, que mesmo de costas se aperceberam da primeira baixa entre os seus perseguidores, admiradores, proponentes a namorados.
Adivinhava-se nos olhos dos persistentes mas silenciosos conquistadores o falhanço da estratégia naquele fim de tarde: –Porque se rira assim a Isabelinha e para qual deles? Porque se retirou o Eduardo? Embora todos os outros o vissem como o menos provável candidato a qualquer das meninas, que de terço entre as mãos, continuavam nervosamente contando as bolinhas de cada Ave-Maria.
-Malta…-sussurrou o João pelo respeito que tinha ao padre Cristiano-sai um de cada vez e lá fora falamos!...
-Está bem!..-responderam quase em uníssono os restantes-
Primeiro o Adelino, depois o José Luis e finalmente o João, depois de terem ajoelhado em linha recta na direcção do altar ( e do padre Cristiano) e procedendo ao desenho da cruz de Cristo no peito,saíram.
Cá fora nem notaram que o sol se tinha posto e foi com dificuldade que perceberam onde se encontrava o Eduardo. Só o seu choro compulsivo o identificou, sentado com a cabeça entre os joelhos, no meio de ramagens de alfazema e alecrim, que decoravam um pequeno jardim, vocacionado para o perdão, integrado na Igreja de S. Sebastião.
O João rodeado pelos companheiros foi o primeiro a chegar junto do Eduardo e com um joelho no chão colocou-se ao nível do meio abraço com que confortou o amigo, ao mesmo tempo que em conjunto lhes saltou a pergunta:
-Gordo…porque é que estás a chorar?
-Eu disse que a Isabelinha estava a olhar para o Adelino e ele nem me disse nada….-o rapaz, quase parecia entrar em convulsões tal era a emoção que colocava no choro-
Rápidamente, cada um dos amigos do Eduardo encontrou uma justificação que servisse de atenuação da sua dor, enigmática, estranha e incompreensível para todos, que com semblante carregado procuraram a escadaria que na penumbra os encaminharia até à azinhaga que os conduziria ao rossio e depois a suas casas.
Ía a descida a meio, quando no cimo quase fronteiriço às escadarias se abriu vagarosamente a enorme porta da igreja de S. Sebastião, interrompendo-se assim a caminhada dos rapazes que iam abraçados ao Eduardo.
Pararam e de olhos muito abertos, em silêncio, sentiram os seus corações a bater mais depressa, ao ritmo da intensidade produzida pelo efeito da luz forte ,amarela,vinda do interior da igreja, misturada com sombras de figuras humanas mais jovens, que progressivamente espalhavam uma atmosfera de apreensão, mas serenidade e paz ao mesmo tempo, ao espaço exterior envolvente, onde o Eduardo, o Adelino , o Joaõ e o José Luis se prostravam espantados, já com as suas faces visíveis iluminadas pela luz do interior da igreja.
Surge então o que todos eles temiam: a imagem assustadoramente bela da Isabelinha, que na dianteira daquela luz, trazia um sorriso na sua direcção, como que, se de um sonho se tratasse.
A Isabelinha descendo devagar os primeiros degraus daquela escadaria, ladeada pelas amigas, dirigiu-se com a suavidade dos anjos, ao grupo de rapazes com o Eduardo no meio deles e com um sorriso que eles nunca conseguiram definir dirigiu-se ao gordo.
E com a ternura que só um anjo consegue demonstrar, acariciou-lhe a face dizendo-lhe:-Eduardo, nunca mais chores, senão nunca mais me riu para ti na Igreja…
Retira-se de seguida, deixando o rasto daquele contagiante sorriso, que por angélico, mantinha os quatro amigos sérios e quase amedrontados .Ficou ainda o seu eterno olhar, difícil de entender, ao separar-se dos rapazes que entonteceu com um agradecimento, que mais não quis dizer que:-Adeus…
Manteve-se em silêncio seguida das suas amigas.
As faces do rapazes, passados uns segundos, iluminaram-se com um franco sorriso, de novo matreiro, de novo ladino e ingenuamente audaz, ao mesmo tempo que as raparigas desciam finalmente as escadarias, cúmplices, juntas, adiando a risota que só mais ao largo do rossio deixariam ouvir.
Os mais velhos, sobretudo as mulheres, aconchegando os xailes para as noites frias de Maio, caminhavam seguindo a garotada, Tinham ficado para trás a contemplar o gesto de ternura , inédito e inesperado da pequena Isabel, e abanando as cabeças com sorrisos de censura fingida, lá levavam mais um caso para casa, dos muitos casos que em silêncio aquela comunidade experienciava, crentes quando a dor a tanto obrigava, genuínos na esperança de poder amar eternamente.
domingo, 25 de julho de 2010
BULLING??...

Ultrapassada a hora do banho do pai chegado da oficina, os rapazes ainda ofegantes dirigiam-se para o quintal onde uma bacia de água os refrescava da jogatina,terminada entre bostas de vacas do Jimbrinhas,torinas de raça, vindas do chafariz.
Solene o posicionamento do chefe de família à mesa, e expectantes em silêncio todos os filhos,aguardando a qual deles caberia nessa noite, a sorte de ir beber um garoto «lá acima» ao café, de mão dada com o pai, só até que falasse na televisão o João Villaret...
A mãe aguardava «à fresca»,já recolhido o resto da prole, a chegada dos passeantes vindos da cidade,com sorrisos,roupa da cama a cheirar a lavado,pobres, nobres, orgulhosos da sua resistência em prol da honra de se ser devedor à terra, de tudo o que a terra lhes ía devendo...
domingo, 18 de julho de 2010
TEMOS MESTRES

Ingiro as vitaminas e proteínas necessárias e nem sequer me queixo de fraqueza nas pernas, o que, se por um lado é vantajoso, por outro seria preocupante relativamente ao meu estado de espírito ambulante.



