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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

«I HAD A DREAM»


O silêncio adensa-se com o aproximar da noite.

Inicia-se o processo de adormecimento ou de despertar para a revisão das ocorrências do dia, que durante o dia não foram ocorrências que se pudessem pensar.

A progressiva densidade do silêncio que só se inicia à noite, tolhe-nos de escuridão e submete-nos pela incapacidade de sermos lúcidos no acto de olhar ao que verdadeiramente fomos ou somos.

Porque o olhar é estranhamente omisso quanto à percepção dos reais acontecimentos, por subverter o sentido, que não a forma das coisas, das coisas invisíveis, essas sim, as verdadeiras coisas que nos abrangem, é que a noite é magnânime e simultaneamente assustadora.

Ela revela-nos finalmente.

Transporta-nos para o rigor da independência, do acto de contrição, de exaltação ou regozijo pelos feitos físicos amestrados de que fomos os principais protagonistas, de que fomos servil e inexoravelmente cobaias ou heróis.

Resta-nos o encantador lado místico da noite, onde o escuro é inspirador e terno.

«Yes, We Can...»