O silêncio adensa-se com o aproximar da noite.
Inicia-se o processo de adormecimento ou de despertar para a revisão das ocorrências do dia, que durante o dia não foram ocorrências que se pudessem pensar.
A progressiva densidade do silêncio que só se inicia à noite, tolhe-nos de escuridão e submete-nos pela incapacidade de sermos lúcidos no acto de olhar ao que verdadeiramente fomos ou somos.
Porque o olhar é estranhamente omisso quanto à percepção dos reais acontecimentos, por subverter o sentido, que não a forma das coisas, das coisas invisíveis, essas sim, as verdadeiras coisas que nos abrangem, é que a noite é magnânime e simultaneamente assustadora.
Ela revela-nos finalmente.
Transporta-nos para o rigor da independência, do acto de contrição, de exaltação ou regozijo pelos feitos físicos amestrados de que fomos os principais protagonistas, de que fomos servil e inexoravelmente cobaias ou heróis.
Resta-nos o encantador lado místico da noite, onde o escuro é inspirador e terno.
«Yes, We Can...»
